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É tão detestável assim gostar de alguém? Me pergunto porque o amor dói. E me pergunto porque a falta dele parece doer mais ainda. Como podemos sentir falta de algo que não entendemos e que muitos nunca terão?
Amor. Talvez isso seja odioso. Sabe, você, que sofre por amor, você é feliz. Nunca feche seu coração, nunca!
Eu ainda não me entendo. Talvez devesse ser menos desesperada. Talvez devesse perder de vez a fé nisso tudo. Sabe, talvez eu não seja comum. Ou talvez seja comum até demais. Senão, de que outra forma eu teria um sonho tão esquisito?
Sabem, homens vivem de aventuras. Mulheres vivem de amor. Mas eu, que sou meio-termo, vivo dos dois, procuro os dois, anseio pelos dois, sou consumida por eles. Ao contrário de todas as meninas-mulheres que conheço, eu não anseio por um amor da vida inteira. Nem pelo meu verdadeiro amor. Acho errado as pessoas acharem que o “sim” ou o “não”, que o “para sempre” ou “nunca mais”. Isso é preto e branco demais para mim. Eu era cinza. Costumava ser cinza, nunca nasci preto e branco. Hoje tenho cores. Muitas cores. Minhas cores me cegam, talvez seja daltônica. Ou simplesmente incomum. Talvez insana. Assim, de que outra maneira faria um mini-diário? Digo, no computador. E depois de velha, convenhamos. Não sou nenhuma garotinha, mas também não sou mulher. Será que ainda posso acreditar em sonhos? Ou talvez eu venha acreditando neles demais? Mistério.
Nada de divagar, de volta ao assunto. Pessoas não vivem sem amor. Não importa amor à que. Mulheres, com toda certeza, vivem de amor pelo seu par. Mas... O que eu quero, afinal?
Eu não quero um príncipe. Não quero buquês de flores, nem carinho na cabeça. Não quero alianças, não quero o mesmo alguém por 40 anos. Mas também não quero viver sozinha. E ao mesmo tempo, não quero monotonia.
Por incrível –ou não- que pareça, eu quero aventuras. Aventuras de amor.
Quero dormir com alguém sem perceber, e acordar assustada. Quero fugir de casa. Quero um homem-menino que me faça sentir nervosismo, calor e ódio. E amor. Quero meu garoto mau com coração de garoto bom, que morda minha orelha só pra me deixar vermelha, que ature meus gritos e socos, que me jogue num sofá, me prenda com as pernas e me encare.
Quero alguém que me consuma, por dentro e por fora. Quero alguém que desperte meu desejo, e que me deixe furiosa e angustiada. Quero “querer” o gato, não “ser” o gato. Estou farta de ser o gato. Meus atos não condizem com minhas vontades. Porque? Porque é difícil assim?
Quero ter a história de amor não perfeitamente doce, sabe. Não sou masoquista, mas gosto da dor de amar. Gosto de sentir que posso perder alguém. Gosto de pertencer à alguém, e sentir que tenho que chegar à altura dele.
Quero uma história que me faça chorar mesmo que tenha encontrado alguém para morrer comigo. Quero alguém que grude em mim, como se fôssemos um. Quero chorar por um cheiro, quero abandonar convenções.
Quero, mais que tudo, desesperadamente, que alguém ouça meus sonhos. Que descubra meus sonhos, que se interesse por meus sonhos. Quero descobrir os sonhos desse alguém, quero ser parte do sonho desse alguém, quero me encaixar na vida e no ser desse alguém. Nem que por uma semana.
Quero que durmam sempre virado para mim, quero que me apóie nas coisas erradas, mas quero que vá até o fim comigo. Quero que me deixe uma memória-herança. Quero realizar e partilhar sonhos.
Quero alguém que suma e me deixe preocupada, mas quando eu quiser chorar de medo, e me encolher, virar uma bolinhas, que apareça. E me abrace. Não quero palavras, quero gestos.
Afinal, é tudo sobre isso, não? Sonhos. Pessoas não existem sem sonhos. Pessoas sem sonhos não existem. Essa é a grande verdade da vida. A questão, é se eu estou sonhando muito alto. Talvez esteja. Vai saber.
Se vou continuar, talvez devesse te dar um nome. Kitty é plágio. Nana? Caroline? Alice? Joanne? Carolinne? Quem é você? Quais dessas são você? Ah, desculpe. Estou falando de mim. Que tal... Charlotte? Ou Désirée? Talvez Maxine. Désirée. Sou nome é Désirée. Prazer em conhecê-la.